Palestra MJC: Castidade
Paróquia Santa Luzia – 19 de outubro de 2008
- O que é?
- Todo batizado é chamado à castidade
- Convite de Deus à Pureza de Cristo
- Virtude moral; integridade da pessoa; forças vital e do amor
- Comandada pela virtude da Temperança: racionalizar paixões e apetites da sensibilidade humana.
- Dom de Deus, fruto do espírito santo (caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade) Gl 5, 22-23.
- Sexto mandamento: sexualidade humana.
- Unidade e alinhamento interior do homem do ser corporal com o espiritual.
- Só se consegue se houver amizade entre o casal.
- Pureza de coração e alma “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8)
- Não buscar ter prazer isolado ou descontrolado.
- Quatro tipos:
Virgindade - não ter relações sexuais até o casamento.
Celibato – não ter por toda a vida.
Viuvez – não ter depois da morte do marido.
Continência – Mesmo tendo tido relações, converter e não ter até o casamento.
- Opção consciente e livre
- Convicção pessoal
- Trabalho em longo prazo: nunca deve ser considerado adquirido
- Esforço retomado em todas as idades da vida mais intenso na adolescência
- TEM LEIS DE CRESCIMENTO: GRAUS; IMPERFEIÇÃO E PECADO.
- Como uma dieta: cada dia é uma batalha =)
- É o respeito pelo direito do outro
- Domínio de si / doação de si mesmo
- Gandhi: “A alma deve dominar o corpo, jamais o contrário. A castidade não é uma cultura de estufa é uma das maiores disciplinas, sem a qual a mente não pode alcançar a firmeza necessária”. E acrescenta: “A vida sem castidade parece-me vazia e animalesca”.
- Meio mais apropriado de assegurar a santa castidade é a humildade.
- Presença gera felicidade, dignidade, uma capacidade para amar, para se doar não por pedaços, mas para se doar por inteiro, como Jesus se deu na cruz.
O que não é?
- Só não fazer sexo (envolve como lidar com, desde a postura, as roupas até as atitudes sexuais em si.)
- Idiotice, bobagem, algo ultrapassado.
- Impossível. É difícil, mas não impossível.
- Não é repressão sexual; é uma escolha LIVRE
- Tabu, moralismo, preceito ou obrigação.
Objetivo de Namorar?
- Segundo Bento XVI, a castidade permite “amadurecer no amor e ajuda a exercitar o autocontrole, a desenvolver o respeito pelo outro, que são características do verdadeiro amor que não busca em primeiro lugar a própria satisfação nem o próprio bem-estar”.
- “Bom teste para o matrimônio” ( papa Bento XVI, abril de 2008 )
- Busca pela Maturidade afetiva
- Auto – conhecimento e conhecimento mútuo
- Preparação, Esperança de se receberem futuramente em Deus.
- Ajudar um ao outro levar pro céu
- Ser instruídos sobre a dignidade, função e exercício do amor conjugal.
- Vivencia da afetividade e não da sexualidade.
- Pureza de intenção e do olhar.
- Manter a castidade dos gestos e das palavras.
- Aprender a amar como casal. (é difícil, trabalhoso)
- O amor humano não tolera “experiência”; ele exige uma doação total e definitiva das pessoas entre si. Que será abençoado por Deus.
- A despeito de eventuais “carências afetivas ou desilusões sentimentais”, não se deve duvidar de que “o amor seja possível”.
- Conselho de São Josemaría Escrivá para viver a castidade: “não fazer nada que não farias diante de seus pais”.
- “Vigiai e orai” porque “a carne é fraca” (cf. Mt 26, 41).
- O que precisa haver entre os namorados é carinho, não as carícias íntimas.
Objetivo de Casar?
- Doação mútua – “a união do homem e da mulher no casamento é uma maneira de imitar na carne a generosidade e a fecundidade do Criador.”
- Vivência de Amor verdadeiro
- Da Retidão sexual
- Momento de se empenhar um para o outro
- Sexualidade é fonte de alegria e prazer
- Fidelidade e fecundidade
- “Esse abraço, essa boca, esse beijo, este corpo sou eu.” Tobias8, 4-9 primeira noite com Sara. Oração e entrega.
- Atos sexuais são honestos e dignos no casamento; coração alegre agradecido
- “Por razões justas, os esposos podem querer espaçar o nascimento de seus filhos, cabe-lhes verificar se seu desejo não vem do egoísmo, mas está de acordo com a vontade de uma paternidade responsável.”
- Condena: adultério e poligamia
- Os dois se doam de maneira definitiva e total ao outro.
- “O que Deus uniu o Homem não separe” ( Mt10,9)
O que pode em um relacionamento?
- Amizade verdadeira.
- Silêncio e diálogo – se um dos dois faltar, gera instabilidade no casal.
- Conhecer a vivência do outro.
- Ter desejo.
- Orar para se dominar. EX.: livrar-se de CIUMES
- Saber o que outro consegue controlar e o que não consegue para respeitar o limite.
- Conversar sobre sexualidade.
- Decidir, juntos, o melhor caminho a percorrer (a decisão precisa ser de ambos)
- Se tocar, beijar, abraçar.
- Se houver a falta de castidade, a vivência sexual ativa no namoro, o casamento já se iniciará desgastado e o namoro terá preocupações que não dizem respeito a esse momento.
O que não pode?
- Dar ocasião para que a tentação chegue a nós.
- Conversas que incentivem o prazer desregrado, o desrespeito ao corpo e ao outro, ou que perturbem a nossa imaginação.
- Procura de livros, apresentações, filmes, shows e festas onde sabemos que a prática da castidade será colocada em risco.
- Usar roupas insinuantes com a intenção de seduzir. “Cuidado com a roupa que você usa; com os decotes, com o comprimento das saias… Não ponha “pólvora” no sangue do outro se você não quer vê-lo “explodir”
- Ignorar o sentimento de pudor.
Chamou outra vez as pessoas e lhes disse: ‘Ouvi-me todos e entendei. Nada há fora do homem que, entrando nele, possa contaminá-lo; mas o que sai do homem, isso é o que contamina o homem… Porque de dentro do coração dos homens saem as intenções más: fornicações, roubos, assassinatos, adultérios, avarezas, maldades, fraude, libertinagem, inveja, injúria, insolência, insensatez. Todas estas perversidades saem de dentro e contaminam o homem”» (Mc 7, 14-15. 21-23).
- Luxúria -> Desejo – querer muito sexo, desregrado e desordenado. Causa: sem finalidade de procriação ou união.
- Masturbação -> excitação voluntária por prazer apenas. Causas: Egoísmo, Imaturidade afetiva, estado de angustia. (Fatores psíquicos ou sociais minoram a culpabilidade social da masturbação).
- Fornicação -> união carnal fora do casamento. Causa: contrária à dignidade humana
“Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo”
(1 Cor 6,18-20).
- Pornografia -> retirar e exibir intimidades sexuais, reais ou simuladas, para público de maneira deliberada. Causa: desnatura a o ato conjugal, a doação íntima dos esposos; objeto de prazer (atores, publicitários e espectadores estão envolvidos no erro).
- Prostituição -> relações sexuais sem vinculo afetivo e com remuneração. Causa: mancha o templo do espírito santo, flagelo social. ( a Miséria, chantagem e pressão social atenuam o pecado)
- Estupro -> penetração à força, com violência. Causa: fere a justiça e a caridade. Fere o respeito à liberdade, integridade física e moral. Ato de maldade. ( se com Pais e educadores: mais grave).
- Homossexualidade
- Atração sexual por pessoas do mesmo sexo.
- Adquiriu formas variáveis ao longo dos séculos e culturas.
- Considerado atos desordenados.
- Não precedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira.
- Não se sabe a sua gênese psíquica.
- Contrários à lei natural .
- Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza.
- Sem discriminação ou injustiça.
- São chamadas a unirem-se ao sacrifício da cruz por causa das dificuldades que podem encontrar em suas vidas.
- São chamadas à castidade, ao autodomínio, à oração.
Conclusão
A respeito da Masculinidade nos dias atuais:
“Rapazes, vocês são verdadeiramente homens. O mundo precisa de testemunho de virilidade, com a sua capacidade, com os seus dons que complementam uma mulher. A masculinidade de vocês é um dom de Deus. Vocês são verdadeiramente homens, inteiramente homens.
Pode ser que vocês tragam algumas feridas com vocês, mas não se deixem enganar pelo mundo. Não se arraste pelas modas que arrasam a masculinidade, a virilidade. Sejam homens por inteiro, como Cristo foi. Se há feridas, deixem que Ele, o Homem que é Cristo, pela Sua graça, pela castidade os harmonizem e os cure. Vocês serão felizes sendo quem vocês são. Quando deixamos ser aquilo que Deus nos criou, somos felizes.”
Para as mulheres:
“Minhas queridas irmãs, quero lhes pedir em nome de Cristo, da Igreja e do mundo que vocês não percam o dom maior que Deus lhes deu: a feminilidade. A feminilidade de vocês nos torna mais homens. A feminilidade – não a sensualidade – torna seus esposos, seus filhos mais homens. A sensibilidade de vocês, que é capaz de notar até quando um rosto muda, é capaz de fazer com que o mundo seja mais humano.
Não deixem de ser como Deus as fez: mulher por inteira, toda bela. Não caiam nas falácias do mundo de hoje, que querem que vocês compitam com o homem. Não se deixem enganar com a sensualidade, com negação da sua sexualidade como mulher, como se pudesse ser outra coisa sem ser mulher. Mulher que complementa o homem, que faz o mundo mais humano. Não deixem de ser o que vocês são por causa das mentiras do mundo.“
Moysés Azevedo, Fundador e Moderador Geral da Comunidade Católica Shalom
http://www.comshalom.org/projetofamilia/index.php?option=com_content&task=view&id=79&Itemid=55
- “É melhor amar com severidade que enganar com suavidade” Sto Agostinho
- Pe. Jonas Abib: “Se tivesse de dar uma medalha de ouro puro para um jovem que luta para ser casto ou para um general que ganhou uma grande batalha, eu a daria ao jovem.”
- Romanos 12, 1-2: “Eu vos exorto, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, a oferecerdes vossos corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus: é este o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito”.
- Filipenses 4, 8: “Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos”.
- Quando falta a castidade, o amor perde a força em nós e nos tornamos presas fáceis do desamor, dos ciúmes, da violência e da degradação.
- Quando a castidade é ferida gera prazer no ato, mas dor na vida.
- A castidade gera olhos transparentes, revela o próprio Cristo e aquela que é “toda bela”, a Virgem Maria.
Referências:
- Catecismo da Igreja Católico; – parágrafos 2331 a 2400; Ed. Loyola; 1997.
- Aquino, Professor Felipe. Namoro, 8ª edição, Edição Léofas.
- Kerstiens, Ferdinand. Vinho novo em odres velhos – Sacramentos de Libertação; Ed. Vozes; 1994.
- Bíblia Sagrada ( Romanos, I coríntios, Gálatas, Filipenses, Evangelhos e Gêneses )
- www.comshalom.org.br
- www.cancaonova.com
- www.novaalianca.com.br
- www.vatican.va (site oficial do Vaticano)
“Vós sabeis que sois o templo de Deus e
que o Espírito de Deus habita em vós?”
(I Cor. 3, 16-¬17)
“Para uns e para outros, a castidade é sinônimo de não ter relação sexual. O que não é bem a verdade. Há pessoas que não têm relação, mas nem por isso são castas. O contrário também é válido. Castidade tem a ver com sexo, mas vai além dele. Castidade é integridade, pureza, auto-estima.
A pessoa casta respeita a si mesma, não se deixa usar pelos outros. Preocupa-se com sua própria saúde, tanto física, como mental. Por isso, tem cuidado com sua alimentação, higiene, estética, descanso, lazer, espiritualidade, relações afetivas…
A castidade é uma atitude de cuidado, amor e respeito da pessoa consigo mesma. O pecado contra a castidade é a auto-agressão, com ou sem a colaboração de outras pessoas.
Toda situação que traga danos à pessoa – incluindo aí as relações sexuais sem amor e respeito mútuos – é contra a castidade. Falta de higiene corporal e mental, fanatismo, vaidade, tudo isso é contra a integridade física/ moral do indivíduo.
O sexto mandamento resume, em sua formulação, uma variedade de situações que não podem ser reduzidas ao sexo fora do casamento. Muitas outras atitudes, em si boas, tornam-se desumanas quando feitas de forma inadequada.
A tradição da Igreja ensina que sexo é bom entre marido e mulher. Sexo com qualquer um deixa de ser saudável e pode torna-se um problema.
Ser casto implica aprender a justa medida das coisas e desenvolver atitudes de equilíbrio, autocontrole, auto-estima e, acima de tudo, respeito a si mesmo e a Deus.”
(Texto adaptado do Jornal de Opinião – 3 a 9 de Janeiro de 2005
– Como falar de Castidade Hoje? –Maria Paula Rodrigues)
Castidade
É difícil. É possível.
Vale a pena.